Salvador revelou ser uma cidade cheia de energia e encantada. Faz-me lembrar muito o nosso Porto, mas com sangue brasileiro a correr-lhe nas veias.
Como o Porto, a capital Baihana reveste-se de calçada escura nas suas ruas ingremes e apertadas. As fachadas possuem camadas de tinta numa tentativa de coloração alegre, mas o desfeixo é de solene estado de ruína nas construções ribeirinhas que lutam desajeitadamente por verticalidade. As telhas são escuras de sujidade e enchem-se de pombos sempre à espreita. O movimento citadino e barulhento das pessoas é uma explosão nesta melancolia. Elas passam, vendem, compram, param para descançar, olham as vistas dos pontos priviligiados, grupos de turístas riem e fotografam, os pobres choram e desesperam por alguns centavos. Esta cidade tem qualquer coisa de monumental. Como o Porto se debruça sobre o Douro, Salvador debruça-se sobre a Bahia de Todos os Santos, num jeito romantico mas orgulhoso da sua historia, do que foi e do que é.
Gostei particularmente do estilo bem português de ser da cidade, onde uma zona baixa ribeirinha se vira para o comercio portuário e piscatório, para os armazéns e acessos, para os mercados e espaços abertos e luta por estar constantemente bem ligada à zona alta e nobre, o Pelourinho, onde abundam igrejas de um barroco exótico, palácios e praças públicas requintadas por fontes e estátuas, e um comercio de luxo. O elevador do Lacerda foi a inevitavel peça que com o tempo surgiu da relação entre a Alta e Baixa de Salvador. Fui evitando usá-lo, por um lado para explorar melhor as ruas que sobem e descem, e por outro por achar que era uma coisa muito turística logo o preço seria irritantemente descabido. Afinal eram só 5 centavos e acabei por subir e descer 4 vezes!
Na volta para o Hostel começou uma chovada demasiado intensa para ser verdade, corri, pus a pata na poça e dei a maior queda que me lembro ter dato. Foi numa calçada, uma das chanatas saiu-me do pé, e quando forcei o meu peso para cima do outro pé fiz um aquaplaning ridículo no meio de uma rua com imensa gente a resguardar-se da chuva, eu era o palco eles a plateia.. eu dei o espectaculo, eles aplaudiram, o meu rabo dói, e a minha roupa TODA vai ter de ir para a maquina de lavar que eu não tenho!
A chuva já me deu demasiados prejuízos.








2 comentários:
Hehehe, grande luis deixa-me mais uma vez mandar-te uma força para que continues a escrever, como sabes eu tinha-te dito que não ia ler mas que ia vendo as fotografias, e de facto a realidade é que me rendi, e sempre que posso dou aqui um salto para ver as novidades.
Estas a viver um sonho do caraças, tenho a certeza que toda a gente que acompanhar o que nos vais descrevendo acaba, tal como eu, com um bixinho na cabeça a dizer " eu tambem quero"...
Quanto ao teu malho,épa é a tua cara, ja te vi cair varias vezes (na lama, na praia etc..) e imagino-te muito bem a fazer mono (ski) numa poça numa ruazinha de calçada... lol
Como nota ai ao malho na lama, o video da nossa corrida no lago vazio ja ta no youtube com o nome de "Dead Mud Race".
Um grande abraço
Grande LUIS...
Me parece que voce desistiu de viajar pela América do Sul... e resolveu fazer a costa Brasileira.. Na mal hein...
Bom espero que esteja aproveitando toda essa experiencia.. Salavador, João Pessoa, Natal(PIPA), Recife e Fortaleza São lugares que vc tem que conehcer... e espero que a chuva de uma trégua pra vc poder entender o que realmente é verão... Grande abraço e boa Sorte !!
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