
Estou em Jeri faz 3 dias. E esta foi a melhor descrição que arrumei ate agora:
Jeri,
Um deserto, com oásis demais para ser deserto.
Uma praia, longa demais para ser assim... só uma praia.
Uma aldeia, mas tão deslumbrante que parece pouco chamar-lhe assim so... uma aldeia.
Um reino do Sol, e um reino do vento que traz no seu sopro de musa qualquer coisa de romantico e latino.
Uma celebraçao da Natureza em perfeito estado de harmonia.
Um quente luminoso dado aos homens, e por isso mesmo... efemero.
.... muito lindo eu sei.
A verdade é que estou a amar. Uma vez alguem me disse que o amor nao é uma relaçao exclusivamente humana, e que podemos sentir amor por tudo. Pois bem, acredito agora. Amo este lugar! Um paraiso, a minha Terra Prometida.
Sao tardes de meditaçao e escrita deitado em redes de fim de tarde, cavalgadas pelas dunas e praias infinitas, futebol ao almoço com as adoraveis crianças locais, interacçao de pessoas de todo o mundo, passeios de buggy até lagoas perdidas, é um por do Sol que nao é superior ao melhor por do sol da minha vida, o da praia grande. Este lugar fascina-me... é relativamente recente o dado a conhcer ao mundo sobre este espaço. Quanto tempo ira durar..? Quantos lugares por explorar ainda nos restam?
As pessoas que chegam aqui vem a procura do vento que lhes permite horas e horas de windsurf e kitesurf. Vem em busca de autenticidade natural, de abertura de mente, de energia positiva. Fogem do aperto cada vez maior que a evoluçao dos nossos tempos exige. Jeri é refugio e como todos os refugios temo que um dia vai deixar de ser como é. Vao surgir resorts, campos de golf, meios de transporte mais evoluidos, e com isso, como bem se faz no brasil virao as favelas, a poluiçao, e os cavalos marinhos que vi hoje, acho que nao vao resistir. Mais uma extinçao irremediavel, mais um tesouro da natureza perdido...
O ser humano tem essa paixao primitiva por lugares inexplorados, pelo gosto que da ser o primeiro a pisar certas terras e lugares, pelo explendor de novas especies de vida e fenomenos naturais. Infelizmente o espaço do nosso planeta é finito, e nos somos cada vez mais...
A dona do Hostel em Fortaleza, a Gisele, deu ao mundo uma criança, é adoravel. No seguimento de uma conversa que tivemos sobre familia, eu perguntei para quando estava programado a proxima. Surpreendentemente, e nao deixo de sentir admiraçao por isso, ela disse que apesar de ter muita vontade, sente que é melhor para o mundo se nao tiver. Falamos sobre o que eu ja sabia, mas que agora considero um dos maiores problemas no futuro da humanidade: a sobrepopulaçao. De ano para ano, exponencialmente vamos crescendo em numero (cegamente (e também incontrolavelmente?)). Gisele acha que é mais uma bomba relogio (mas das grandes) no armario das bombas relogio que ja existem, como a escassez de agua, o aumento do nivel das aguas dos mares, o aquecimento global, a extinçao massiva de especies de fauna e flora, o desequilibrio dos habitats e ecossistemas e tudo o que isso pode provocar, etc, etc... Facil pensar que isso nao é demasiado importante, que é passageiro e que como tudo, alguem ira resolver o problema mais tarde ou mais cedo. Pois por enquanto continuamos a viver no conforto das nossas vidas. Mas serao elas, no tempo, saudavelmente sustentaveis? Ou seja, sera que as geraçoes futuras, os nosso filhos, irao poder gozar do mesmo conforto de que gozamos? Estatisticamente nao. Grandes mudanças de atitude nas sociedades tem que ocorrer, mas sera que isso vai acontecer? E a tempo? Pelo que vejo, nem sequer em minha casa em Portugal (um pais considerado desenvolvido) se separa o lixo, ou se poupa na energia como seria desejado. Mesmo eu ainda nao interiorizei certas pequenas coisas que colectivamente sao enormes passos para a mudança.
"Para mim é o apocalipto" diz Gisele com meio sorriso na cara, meio triste também. Prefiro acreditar num desafio, dos grandes, que temos pela frente, e que ira ser ultrapassado.
Mas como é que as coisas vao mudar, se mesmo pessoas quem eu considero com um nivel intelectual superior a media, conseguem continuamente destruir qualquer tipo de iniciativa pro-ambiente com a mais redutora e inferiorizante das perguntas: "Agora és dos verdes, é?" Pois bem, eu sou!
A nossa sociedade preocupa-se tanto com temas que merecem tao pouco tempo. Mas fogem dos temas que realmente merecem profunda reflexao e preocupaçao, a acima de tudo acçao! A preguiça é a mais grave das doenças sociais.
Bom, mas voltando ao maravilhoso mundo encantado da minha viagem (because we live on fascination!) algumas imagens dos ultimos dias: