06/12/08 Purgatório

Nos meses que estive no Rio de Janeiro fui perseguido pela chuva. Vim para Norte à procura de praias, calor e noites de manga-cava.

Ora essa perseguição continua... e bem cerrada! Cá chove já faz 2 semanas e se antes as previsões apontavam para hoje o regresso do bom tempo, agora, imprevisivelmente apontam para dia 14! É desesperante e frustrante, mas para mim, que vou viajar mais tempo que eles, o sol vai aparecer inevitavelmente por isso não nos vamos deixar de divertir.


Compramos uns impermeáveis ridículos para cada um e alugamos um buggy. Logo a sul de Porto Seguro temos duas aldeias que todos dizem ser encantadoras: Arraial d'Ajuda e Trancoso, e um rio para atravessar. Pegamos o ferry boat, e com chuva (frio), mas vontade fomos dar uma olhada. Arraial d'Ajuda é demasiado turística mas muito simpatico e agradavel, tem um centro histórico bem português de traços coloniais. Seguimos para Trancoso, a tão aguardada Trancoso. Vim para cá com Trancoso na mente, contaram-me ser um paraíso na Terra, sem acessos asfaltados, imagino uma pequena aldeia de pescadores e turistas low-profile. Imagino fins de tarde quentes que se prolongam noite adentro em churrascos na praia e pequenas festas de trance (à quem lhe chame de Transecoso), imagino grandes dias de praias interminaveis, pesca, mergulho, quem sabe windsurf ou mesmo uns passeios de cavalo. Imagino um centro de Aldeia de terra batida onde as crianças (e eu) jogamos futebol todas as tardes com a igreja branca cal a dominar as casas de telha de barro com as suas cores exaustas pela erosão. Imagino um céu estrelado visto das redes onde eu vou dormir, na praia. Agora imaginem um purgatório bem cinzento antes de chegar ao paraíso. Não fui capaz de o ultrapassar. Fomos amaldiçoados pela chuva que deixou o tal acesso cheio de buracos e poças, que o buggy não aguentou e acabou por dar o berro nos primeiros 5km.

De repente houve um momento de pânico onde não sabia se havia de rir ou chorar. Vimo-nos sem telemoveis nem contactos, com pouco dinheiro, uma chuva interminavel e algumas dezenas de kilometros para percorrer de volta. Obviamente que uma rebocadora seria inexistente! E infelizmente percebo tanto de mecânica como de pecuária! Tentamos ligar o carro de empurrão... em vão. Poucos carros vão passando, uns ignoram, outros olham e fazem uma careta...

Passado algum tempo um bom Samaritano faz qualquer coisa com a bateria que com um empurrão põe o carrinho a trabalhar! No momento achei que fosse o próprio Deus, mas passado um Kilómetro foi de novo abaixo. Bom, a cena repete-se mais cinco vezes até que por fim estamos de volta ao asfalto de Arraial d'Ajuda, molhados e sujos e com Trancoso por ver! Ainda deu para umas gargalhadas...

De regresso a Porto Seguro matamos as nossas angustias num mega bóbó de camarão, especialidade da zona.. é como comer carne de porco no Alentejo. Por agora vamos esperar (ou desesperar) para ver como a metereologia reage aos proximos dias.

1 comentário:

Joaquim disse...

Bem grande Luis, essa cena de empurar o carro por varios kilometros so me lembrou a cena da moto 4 na grecia. Agora ja sabes o que eu passei!!!desta vez sou eu que digo: "força kuis, já so faltam 5 km" lol
va grande abc